The Lonelytudes of Natasha

Natasha, Natasha....
Como gostava de ser como tu...
De lutar pelo que achas bem
De lutar contra o que achas mal
A plenos pulmões...


Como gostava de poder amar o Pai Natal
E ainda assim saber que ele não te chega
Como gostava de poder mandar tudo pelo ar
E de ficar indignado com o mundo.


Natasha, Natasha...
Tens em ti o melhor de mim,
Como gostava de poder cantar
Like a Virgin, e descobrir que posso.
Como gostava de ser a cozinheira
Que os meninos gostam de gostar.


Como gostava de ser como tu
E estar sempre de mau humor
Tão genuíno e afável...
Mas sabes tão bem quanto eu
Que a verdade é mais cruel que tu,
Que tenho de viver o Eu principal
De entre tantos os que sou e vou ficando..


Natasha, Natasha...
Quando me voltares vou estar aqui
Vou estar aqui para te receber,
Para gritar aos ouvidos de quem
Ouviu tudo muito bem, de fazer
O que achas certo, de fazer justiça
Pelas próprias mãos!


De viver, cantar e correr
Atrás dos duendes
De tomar conta da própria vida
Sem qualquer tipo de medo,
Como gostava de ser como tu!


Como eu sei que não somos mais
Do que um só, do que espero então...?
Em ti somos todos, em mim
És apenas uma, em nós sabemos
O que somos, em nós sabemos
Quem habita, em nós não habita
Ninguém senão eu...


Para que não deixemos apagar quem criamos em nós!

** Isto vai para todos os que me dizem que posso.





CSI: PENICHE
HUGO RIBEIRO

Num qualquer descampado a céu aberto no centro de Peniche, uma peixeira morta e seca que nem um carapau foi encontrada. O director do departamento de investigação criminal foi alertado para o caso. Director Hugo chamou a sua equipa, Márica, Fernando e Rita e pô-los em campo. Quando olharam para a peixeira morta, nem queriam acreditar na hediondisse deste crime. A penicheira estava envolta numa estranha pasta branca e cinzenta.

- Material dielétrico. – disse Márica ao analisar a pasta branca.
- Que merda é essa?! – exclamou Fernando, um brasileiro emigrado do CSI Rio de Janeiro.
- Isso mesmo. – respondeu Márica.
- Isso o quê?! – exclamou Fernando.
- Cócó de gaivota. – disse ela abando a cabeça quando recolheu uma amostra.
- Fod%&#$ - disse Fernando.

Genérico:
Musica:
uuuuuuh ai uh uh uh uh
uuuuuuh ai uh uh uh uh

Starring:
Márica
Nando
Filipa

Uhuhuhhh ai uh uh uh
Aiiiiiii uh uh uh uh uuuuuuh

Luiza
Rita
Marisa
Catarina
Hugo

Produtor Executivo:
Jerry Alzeimer

- - -
Os mirones e os jornalistas aproximaram-se. Há muito tempo que não havia um crime como este em Peniche. Era grave. Tão grave que Rita analisava todo o perímetro com a sua lanterna extra forte de raios ultra violeta.

- Há aqui algo estranho. – disse Rita. – Esta mulher não parece ter sido posta aqui. Parece que caiu do céu. Quem a pôs aqui sabia o que estava a fazer...
- Ela tem aqui um papel na mão. – disse Márica tentando observar com atenção o papel.
- Cara... ca. – disse Ferendo quando recebeu olhares reprovadores por dizer tantas asneiras. – Não vejo uma merda dessas desde que as Spice Girls apareceram com a Geri Halliwell.
- Não diga mal da minha banda preferida e analise a cena do crime faz favor. – disse Hugo ajeitando o casaco.
- Também gosta de toda a merda que mexe... É hora de almoço. Eu não me importava de ir alí ao cachorrão brasileiro... – disse Fernando apontando para o horizonte.
- Quem não trabuca, não manduca. – disse Márica.
- O melhor é levarmos o corpo para o laboratório, para a Filipa analisar. Ei... espera lá... Ela tem um pêlo encravado nos dentes. – disse Márica.

Houve uma leve pausa. Será que eram o que estavam a pensar?! Afinal podia tratar-se de uma prostituta. Mas tinha sete saias. E cheirava a peixe que tresandava. Hugo pediu a Fernando para ensacar o corpo enquanto eles faziam uma pausa para ir comer um cachorro. Depois, mais tarde, Fernando ia para o laboratório enquanto Rita, Márica e Hugo iam investigar o papel que a vítima tinha na mão. Era uma factura de pagamento, pertencente a Luísauto.

- Está aqui. – disse Fernando mandando o saco para cima da mesa, na morgue dos laboratórios e reparando que Filipa, a médica legista tinha um olho negro. – Anda apanhando do marido?!
- E se fôr?! – exclamou ela abrindo o saco.
- Tem de fazer quexa. – pestanejou ele. – Não pode trabalhar nessas condições.
- Eu estou bem.
- Fez quexa?
- Não, não fiz queixa. – disse ela despindo a peixeira. – Desampare-me a morgue.
- Mas tem de fazer quexa.
- Não vou fazer queixa. Sei defender-me muito bem. – disse Filipa irritada.
- Nota-se. Se não fez quexa, eu faço. – disse Fernando olhando para as mamocas da peixeira. – São duas...
- Você não fazer queixa de ninguém. Agora que finalmente temos trabalho, podia começar por investigar a identidade desta mulher.
- São duas... – disse Fernando. – Estranho.
- Claro que são duas. Nunca tinha visto nenhuma é?!
- Nenhuma já. Mas duas não. – constatou ele. – Há algo de errado nestas mamocas. Estão arrebitadas.
- Chama-se rigor mortis. – explicou Filipa, o porquê dos seios da senhora estarem rijas e arrebitadas.
- Rigor Mortis. – escreveu Fernando num bloco de notas. – Obrigado. ‘Té já.
- Dah...
- Ah! E vou levar esse pêlo que ela tem encravado na cremalheira para análise de nda nda am amnd dm na d...
- DNA. – corrigiu Filipa.
- Isso.
- Um pêlo?! . exclamou Filipa assustada. – Eu... Eu analiso!
- Não! É prova.

Filipa ficou a olhar para Fernando que abanou a cabeça e foi-se embora. Márica, Rita e Hugo, analisaram a factura e descobriram que pertencia a Luísa, e à sua oficina de Arranjos, concertos e reparações de Automóveis. Quando chegaram lá, ela estava toda suja de óleo e estava a beber a sua mini.

- Posso ser útil?! – exclamou Luísa com um leve arroto.
- Poder pode... Nós somos do departamento de investigação criminal de Peniche e viémos fazer-lhe umas perguntinhas. – disse Hugo mostrando a factura num saco de plástico. – Isto estava na mão da vítima quando a encontrámos. Como explica isto?
- Então... – disse Luísa apontando para a factura. – Aqui põe-se o arranjo em causa, aqui mete-se o custo e materiais, aqui enfia-se o total e aqui coloca-se a assinatura.
- Agora percebo o "arranjo, concertos e reparações". – disse Márica. – Não foi isso que perguntámos. Queremos saber se conhecia a vítima.
- Quem era a vítima? – perguntou Luísa.
- Ainda não sabemos, é isso que estamos a tentar descobrir. – disse Rita.
- Então se vocês não sabem, como é que querem que eu saiba? Por acaso tenho cara de quem trabalha... lá nisso que vocês trabalham?! – disse Luísa. – Aqui ao meu estabelecimento vêm cerca de cinquenta clientes por dia. Como é que querem que eu saiba quem é que veio aqui e morreu depois?! Não leio o obituário dos jornais, sou analfabeta.
- É analfabeta e preenche facturas?! – perguntou Hugo curioso.
- É do hábito. – disse Luísa encolhendo os ombros.
- Tome. – disse Márica dando-lhe um cotonete para a mão. – Precisamos de uma amostra de ADN sua para a ilibarmos.
- Sim. – disse Luísa que pegou naquilo e enfiou no ouvido, esfregou bem esfregado e depois devolveu à policia.
- Ahm... Era para pôr na boca. – explicou Márica.
- Não seja porca! – disse Luísa. – Eu quando era catraia tirava macacos do nariz e comia-os todos, mas agora sou crescida. Não vou enfiar um cotonete na boca depois de o ter enfiado no ouvido não é?! Tenho outros fétiches.
- Ahm... – disse Hugo. – Nós depois contactamo-la.
- Por causa dos meus fétiches?! – exclamou Luísa baralhada.
- Por causa da investigação. – disse Márica.
- Não lhe dei o meu número...
- Está na factura. – disse Rita abanando a cabeça.

De volta ao laboratório, Márica tinha revelado as fotografias da cena de crime, enquanto Fernando tentava identificar a vítima.

- Fernando! Queres ver as fotos da vítima que...
- Não. – disse ele compenetrado.
- Fogo, simpático... – disse Márica.
- Hum, aqui na interneti não consigo identificar a vítima. Scaniei uma foto que foi tirada na morgue e pedi ao computador para fazer uma procura de gajas com a mesma característica que ela. Mas até agora... Nada. – disse ele preocupado.
- Que programa é?
- Hi5. É exelente na procura de pessoas. Mas sem mais informações...
- Vamos procurar na busca avançada. Dá-me caracteristicas dela. – disse Márica olhando para o monitor.
- Hum... Então... Peixeira, sete saias, quarenta e cinco quilos. Fêmea... E as mamas dela são de silicone plástico. Filipa me disse que ela foi operada por um tal Rigor Mortis. – disse ele. – Deve ser cirurgião plástico.
- Espera lá! Temos aqui qualquer coisa. Uh... – disse Márica ao ver as fotos da peixeira. – Estranho. Chama-se Teresa Alexandrina. É da nazaré. E segundo ela "levanto as saias em troca de carregamento de dez euros de telemóvel".
- É melhor chamarmos a investigadora do CSI Nazaré para nos ajudar com esta investigação. – disse Márica. – Hum, espera lá... Está aqui um comentário da Luísa da oficina... "A próxima vex q me enfiares uma batata nu tubo de excape, vaix ver onde é q eu te carrego ox dex eurox, xua peixeira de um raio!!!". Bem, a linguagem está bem apurada...
- Será que isto foi um ajuste de contas?! – exclamou Fernando.

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INTERVALO
Ei! Não páres não podes perder o mundo das Chiquititas!
No mundo das Chiquititas há magia a dobrar, e os Cd’s vais ter de comprar...
Não fiques à espera do mundo das Chiquititaaaaaas!!!
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:::::::::No Ar: CSI: Péniche::::::::::

Naquela Tarde, Luísa foi levada para intorrogação. Fernando e Márica espalhavam calmamente as fotografias da peixeira morta, bem como fotografias mal impressas do Hi5 de Teresa Alexandrina. Luísa olhava para aquilo e perguntava-se o que raio queriam eles.

- Temos aqui a sua amostra de And... nda...man dma... – disse Fernando.
- ADN. – corrigiu Márica.
- Isso. E não é compatível. Quer contar-nos o que se passou? Como é que uma analfabeta deixa um comentário num Hi5 de uma peixeira?! – perguntou ele.
- O.k... – suspirou Luísa. – Eu não sou analfabeta. Essa Teresa foi á minha oficina a dizer que precisava de um motor para o barco do marido. Ela disse assim: "Melher, atã nã é que precise de motor pró mê meride? Ele vai pró mare e eu queria sabotar-lhe a pescaria". Eu olhei para a mulher e não percebi metade do que ela disse. Ela queria que eu arranjasse um motor sabotado para pôr no barco do marido, para ele se afogar em alto mar. Ameaçou que me matava e tudo.
- Você fez o que ela pediu?! – perguntou Márica.
- Claro que não. Posso ser muita coisa, mas não sou assassina. Eu dei-lhe o motor. Estava em perfeitas condições. E quando ela descobriu que o marido tinha voltado são e salvo para casa deve ter estalado os dedos e veio vingar-se. Meteu uma batata no meu tubo de escape. – explicou Luísa.
- É melhor falarmos com o marido. Ele pode ter descoberto, e ter morto a mulher. Bem, senhora Luísa, pode ir.

Luísa saiu e Fernando ficou a olhar para as fotos e para Márica. Havia algo que não batia certo. Tinham de examinar o barco do marido de Teresa Peixeira. Filipa, Hugo, Fernando, Rita e Márica, armaram-se com os seus kits de investigação criminal e dirigiram-se à Nazaré, onde encontraram Catarina, uma investigadora criminal.

- Eu trabahava como agente de Peixeiras. Elas tinham de me dar uma cota todos os meses daquilo que vendiam e eu tinha de lhes garantir a protecção policial, como isso começou a tornar-se uma seca, emigrei para fora e fui estudar csi para Las Veigas. E Hoje em dia sou directora adjunta e vice-principal do CSI: Nazaré. – explicou Catarina. - Foi por isso que eu estranhei a falta da Teresa. Depois logo a seguir telefonaram-me e eu já sabia que não podia esperar o melhor.
- Então, mas se já não trabalha no ramo, como é que ainda se lembra das peixeiras? – perguntou Rita intrigada.
- Eu já não trabalho com elas, mas elas conhecem-me e respeitam-me como se eu fosse uma delas. Uma espécie de José Castelo Branco no mercado do bulhão, entende... O barco do senhor Alfredo está ali na doca cinco. Vamos. – disse Catarina.

Quando chegaram ao pé do barco, o senhor Alfredo estava no deck, na marmelada com Marisa, uma peixeira. Aquilo era um bocado estranho. Levaram-nos para o centro de investigação criminal, assim como o motor seguiu para o laboratório. Rita fitava Marisa e Fernando retirava ADN da boca de Alfredo.

- Você é uma peixeira falsa não é?! – exclamou Catarina.
- Ora... claro que não! – exclamou Marisa ofendida.
- Então onde estão as suas saias?! – perguntou Catarina.
- Eu e o Alfredo estávamos na marmelada... Dah... – disse Marisa.
- Da?!
- Da? – perguntou Marisa.
- Você disse: "nós estávamos na marmelada da". Da quê?! – questionou Catarina.
- Eu acho que o AMD do pêlo que estava encravado na boca da peixeira é do marido. Mas ainda vamos ter de comprovar. – disse Fernando.
- Vocês mataram a mulher não foi? Para poderem estar juntos?! – disse Rita. – Uma vingança.
- Eu não vejo telenovelas. – disse Marisa.
- Claro que não. Isso é absurdo. Marisa já é minha amante há muito tempo. E Teresa sabia-o. Nunca disse nada, por isso deduzi que ela não se tenha importado com isso. – explicou Alfredo.
- Então e ela desapareceu e você não foi fazer queixa à policia... Que raio de marido é você? – perguntou Filipa.
- Eu voltei hoje de manhã da pescaria. Estive por lá uma semana. É lógico que não sabia. – disse Alfredo preocupado. – Mas olha que se foda... Sou viúvo.
- Ela é sua mulher... Era... Não tem pena?! – disse Fernando.
- Agora que me pergunta... Sim, tive pena de mim. Mas agora que encontrei a minha alma gémea... A minha Marizete... – disse ele.

No dia seguinte as coisas estavam ainda mais complicadas. As análises de ADN estavam quase prontas, porque as coisas eram feitas devagarinho, para não haver enganos. Apesar de Luísa dizer que o motor estava em perfeitas condições, este na verdade não estava. Luísa, Marisa e Alfredo foram chamados novamente.

- Eu vi. – disse Marisa. – A Teresa a pôr coisas para dentro do motor, e tentou atear fogo, mas acabou por queimar duas saias dela. Eu avisei o Alfredo e ele reparou o motor antes de ir para o mar.
- Estão aqui as análises do ADN . – disse Rita batendo à porta do escritório de Hugo.
- Dá-mas cá.

Hugo ficou a olhara para os exames. Aquilo era estranho. Havia algo que não batia certo. Ele dispensou os suspeitos, pois o pêlo que estava na boca de Teresa não era compativel com nenhum deles. Das duas uma: ou o caso não tinha solução, porque as provas não levaram a lado nenhum, ou os exames estavam errados. Ele chamou Rita.

- Sim?! – perguntou ela.
- Onde está a Filipa?! – perguntou Hugo.
- Assim que os exames ficaram prontos, a Filipa disse: "tenho que ir alí". E não a vi mais. – disse Rita.
- "Tinha que ir alí"?! Alí onde?! – exclamou Hugo.
- Sei lá... Tinha que ir alí...
- Mas alí pode ser mil e um sítios. – disse Hugo.
- O que ela na verdade queria dizer era que tinha de ir alí... Deve voltar não tarda. – disse Rita.
- Não volta não... – disse Hugo.
- Se sabe que ela saiu e que não volta, porque é que me está a perguntar por ela?! – exclamou Rita.
- Porque o ADN desconhecido do pêlo, é compatível com o ADN da Filipa. O pêlo é dela. – disse Hugo.
- E sabe isso porque... – disse Rita com uma careta.
- Cada ADN é único. Não há dois iguais. E eu decorei o vosso assim que entraram aqui dentro. Questões de segurança. – disse Hugo.
- Ninguém é capaz de decorar o ADN de ninguém! – disse Rita. – Isso é invasão de privacidade!
- Ora, não dramatizes. – disse Hugo ligando o intercomunicador geral. – O pêlo encravado nos dentes da peixeira é da Filipa. Vamos atrás dela.
- A Esta hora deve estar a milhas! – disse Rita.
- A milhas de "alí". – riu Hugo.

Mas Filipa não foi muito além do estacionamento do departamento de investigação criminal. Tudo porque quando Luísa foi ilibada, vingou-se pelo tempo que a fizeram perder alí, furando os pneus de todos os carros. Depois levaram Filipa para dentro e interrogaram-na mesmo "alí".

- Foste tu que mataste a pobre mulher e a cobriste de material dieléctrico? – perguntou Márica.
- Tens algum problema em dizer ‘merda’?! – perguntou Filipa furiosa.
- Ás vezes tenho. – disse Márica baralhada. – Temos de ter atenção ao que dizemos, e tu... Não estás a contar a verdade. Como é que um pêlo teu foi parar aos dentes da pobre senhora?
- Pobre o caraças! No dia em que eu a matei... Eu tinha ido à oficina da Luísa porque era dia de inspecção ao meu tubo de escape. A peixeira veio de lá furiosa e deu-me um encontrão à entrada que eu caí no chão. Então enchi-me de raiva e segui-a até ao carro. – contou Filipa. – Obriguei-a a pedir-me desculpa. Ela disse: "Olhe, nã me irrite ainda mais, dexe-me em paz!". Mas eu não fui capaz de controlar a raiva e começámos a lutar. Depois ela deu-me uma dentada no olho. Foi por isso que ela deve ter ficado com uma pestana minha encravada nos dentes. Vocês têm de perceber! Foi sem intenção.
- Nota-se. – disse Fernando. – Logo agora que tinha feito quexa de seu marido porque pensava que ele lhe tinha batido...
- Porque é que cobriste a pobre mulher com cócó de gaivota? – perguntou Rita.
- Vocês são mesmo burros... Depois de deixar o corpo da peixeira a derreter ao sol no descampado. Roubei o carro dela e mandei-o ao mar. Depois, para que ninguém desconfiasse voltei à oficina. Luísa não estava, portanto fui atendida por um reles mecânico que me disse: "Esta pintura está um bocado massacrada. O cócó das gaivotas é tão ácido que corrói até a tinta dos carros. Há que ter cuidado". – disse Filipa.
- Então voltaste ao local do crime e encheste a mulher de material... desculpem... de merda para o corpo se decompor mais depressa e não conseguirmos descobrir que foste tu?! – exclamou Márica.
- Sim. – disse Filipa.
- Então quer dizer que confessas tudo?! – gritou Márica desesperada.
- Então... Pensei que se conseguisse aldrabar tudo, que conseguia escapar. E que o crime ia compensar. – disse Filipa.
- E compensou. – disse Hugo. – Os teus colegas vão levar um aumento, por trauma. Como tiveste coragem?!
- Eu sou médica legista. – disse Filipa. – Mortos não é coisa do outro mundo sabes...

Fim
Produtor Executivo

JERRY ALZEIMER

Uuuhhhhhhhhhhhh ai uh uh uh uh
Uuuuuuuuuuuhhhhh ia... uh uh uh uh.....
- - - - -/ - - / - - - -
CSI: Peniche
Hugo Ribeiro
2007

Entre Mamas




Entre Mamas
Hugo Ribeiro 2007


Ma’linda Gorda é uma rapariga singela e com uma grande franja. Habitou desde pequena numa aldeia onde nunca houve um cabeleireiro senão a sua mãe. E uma tesoura gasta pelo tempo e pelos ossos do perú no natal. Ou pela matança da galinha, cortanto a cabeça fora, tradição que era um grande acontecimento em GrandeVista. Aldeia onde ela habilmente habitava. Habilmente porque com a sua franja, ela via-se aflita para conseguir ver o que estava à sua frente e então começou a desenvolver outras faculdades. Começou a ter contacto com os mortos. Ya... Eu sei como que é que isto soa...

Mas ela fora amaldiçoada. A tesoura que lhe cortava a franja, estava pejada de sangue das galinhas que eram mortas, muitas das vezes fora de época, em actos um bocado, Vodú... Então ela fora amaldiçoada terrívelmente. Um dia, quando o seu avô morreu, ela foi vê-lo à igreja. Então ele estava pálido, quando de repente lhe pediu ajuda. Foi um grande choque. A rapariga voltou-se assustada e tropeçou na carpete. Bateu com os queixos nos degraus e com o tapete vieram as velas, o caixão, o padre, e as flores atrás... Depois começou tudo a arder. Pelo menos pouparam na cremação do senhor. Mas desde esse dia, Ma’linda sabia que tinha um poder em si.

Entretanto cresceu e casou-se com o bombeiro local, Jimbo. Isto, porque um dia ele passou no Myspace dela e deixou-lhe um pedido de amizade. Mas ele nunca tinha feito tal coisa. Mas o Além decidiu juntá-los. Com a sua amiga Andreia, Ma’linda abriu uma sexshop dedicada a artigos antigos. Até aqui tudo bem. Mas Ma’linda nunca tinha contado sobre o seu dom ao seu recente marido. E na noite de núpcias, ele dirigiu-se a ela. Ela dirigiu-se a ele. E os dois beijaram-se ardentemente. Ela sentiu a sua barba àspera e no momento seguinte ele estava a abanar a sua língua grossa fora da boca. Mas não havia sinais de Ma´linda. Então acendeu a luz e procurou por ela. Começou a ouvir a sua voz vinda da cozinha. Quando lá chegou, ficou espantado a olhar para a mulher que gesticulava e falava na direcção do frigorífico.

- És um empata fodas! Frio que nem um calhau! – disse ela abanando a cabeça. – Quadrado quanto baste... Eu e o meu marido precisamos de tempo para estarmos juntos e tu vens chatear-me porque não consegues ver a luz?!
- Se o frigorífico quer ver a luz, basta abrir a porta... – disse Jimbo receoso.
- Jimbo! – exclamou Ma’linda apavorada. – Eu não estou...
- Estás a falar com o frigorífico em vez de estares a fazer amor comigo... – disse ele. – Até já perdi a...
- Eu consigo ver. – disse ela. – Vai vestir as cuecas, enquanto esclareço umas coisas com o Miguel.

Jimbo fitou-a por momentos. Até já tinha apelidado o frigorífico e tudo...

- A minha mãe não te falou do meu dom?! – exclamou ela preocupada.
- Qual? O de fugires e deixares-me sempre nos momentos em que estou louco por te agarrar, ou que tens poderes extra-sensoriais e consegues falar com os aparelhos electrodomésticos?
- Eu... – disse ela agarrando no braço dele e puxando-o para as cadeiras da cozinha. – Eu tenho um dom. Eu pedi à minha mãe para te contar, mas pelos vistos ela fez de propósito. Jim..bo... Eu falo com espíritos. E não com frigoríficos. Eles pedem-me ajuda para atravessar para o outro lado. Por vezes ainda têm coisas para resolver, e contactam-me para entrar em contacto com os seus entes queridos. E eu estava agora mesmo a falar com o Miguel, aquele que foi atropelado pela carreira ontem de manhã e que quando se levantou, nas suas últimas forças, foi atropelado pela ambulância... – explicou ela complacente.
- Ai sim... Então e ele agora quer o quê? O passe da camioneta para passar para o outro lado? – perguntou Jimbo.
- Não gozes. – disse Ma’linda ofendida. – Eu sei por exemplo que tu, na universidade foste assediado pela equipa de futebol nos balneários e que não apresentaste queixa porque a resistência não foi muita.
- Como é que sabes isso?! – gritou ele assustado.
- O Miguel, que está aí atrás de ti... É um fantasma. Ele consegue entrar dentro do teu cérebro e ver tudo... Até os segredos mais profundos. Não é apenas um frigorífico.
- Lembra-me de nunca te comprar uma Bimby. – disse Jimbo por fim.

No dia seguinte ela contou esta aventura à sua amiga Andreia, na sexshop que ambas possuem, numa esquina da rua direita com a rua do fundo. Andreia pousou uma caixa cheia de algemas ferrugentas e ficou a pensar por um bocado.

- Então, tu descobres que o teu marido foi violado por uma equipa de futebol, e que gostou e tu... Ainda consegues voltar para a cama e fazer amor com ele? Não ficaste chateada?! – perguntou Andreia aparvalhada.
- Claro que não. – disse Ma’linda com um sorriso. – Foi o Miguel, o fantasma que me apareceu ontem. Ele entrou na cabeça de Jimbo e criou aquela ilusão, como se fosse uma memória real.
- Ah... – disse Andreia.

Momentos depois, o jornaleiro entrou com as notícias bem fresquinhas. Deixou o jornal da vila e foi embora sem não antes dar uma vista de olhos esquiva às caixas das bonecas insufláveis dos anos trinta. Na capa do jornal vinha a notícia que andava a na berlinda nos últimos dias: o marido de Ana Mamalhoa, tinha-a assassinado a sangue frio com uma bala no coração. O pai dela estava furioso, e o pobre dizia-se inocente.

- Eu gostava tanto de a ouvir... – disse Andreia. – Com o seu tema ‘Eu sou Mama’linda’ versão reggaton.
- Olha que tu também... – suspirou Ma´linda.

No momento seguinte, o sino da porta da sexshop tocou e a porta fechou-se. Havia uma rapariga de cabelo imenso, que apreciava os objectos expostos com algum receio. Era tudo tão estranho que até lhe esbugalhava a vista. Era Tufa.

- Olá querida, em que posso ser útil? – perguntou Ma’linda com um sorriso.
- Olá... Eu queria comprar uma coisa... É que eu e um amigo meu, o Hugo... Fazemos dez anos que nos conhecemos, então ele vai fazer uma festa... temática. Ao som dos Abba. – disse Tufa revirando os olhos.
- Pois... Hoje em dia esta gente ouve com cada merda... – disse Ma’linda.
- Então e quer oferecer um objecto sexual ao seu amigo? Ele está com alguma dificuldade nessa área? – perguntou Ma’linda.
- Pois... Boa pergunta... Bem, mas não é isso. Ele tem a mania que é Hardcore, então eu pensei que se podia oferecer-lhe algo... Uma merda qualquer para ele usar, mas que seja um bocado... Assim... pronto... Não é objecto sexual...
- Já pensou oferecer-lhe um acessório, sado-mazo? – perguntou Ma’linda.
- Pois... Mas eu não sei se ele é sado, ou mazo... – disse Tufa.
- Ora pense. Como é ele como pessoa... como amigo...
- Definitivamente algo Mazoquista. – assentiu Tufa.
- Olhe, temos aqui umas coleiras de bicos que chegaram hoje. Comprei-as em leilão pelo miau... E se ele acha que é Hardcore, pode usar isto apenas como acessório. Algumas já estão meio ferrugentas... Mas há aqui uma que parece estar nova. Falta-lhe é um bico. – disse Ma’linda.
- Ah... Não faz mal. O meu amigo já está habituado... Mais bico, menos bico... Ele há-de inventar alguma teoria de que nem toda a gente tem que ter os bicos todos, e depois arranja um significado obscuro qualquer para provocar as pessoas pela falta de bicos... Como aquelas merdas que ele trás atadas às calças... Uns atacadores. É mesmo cona... As pessoas perguntam-lhe porque raio é que ele anda com aquilo atrelado, e ele mete um ar tipo mete-nojo-a-pessoas-ignorantes e diz que é um significado especial... – disse Tufa aborrecida.
- Mas ele é seu amigo... – disse Ma’linda.
- Ele é mas é parvinho. Alguém por ventura ata uns atacadores à merda das calças e diz que é um significado especial? Ou pior... Quando lhe dá na telha é aos pulsos... Já para não falar numa merda pseudo medieval que ele arranjou de cabedal e depois faz-se passear como se não houvesse amanhã com aquilo... o único significado especial que ele tem é um parafuso encravado... nem é a menos, é encravado. Por isso essa coleira até que é ideal... – disse Tufa abanado a cabeça dando uma olhadela rápida ao jornal que estava em cima do balcão. – Ah... A Ana Mamalhoa bateu as botas?!
- Pois é... O marido assassinou-a. – disse Andreia.
- Também... Só uma pessoa atrasada é que ia gostar de ouvir aquelas musicas estúpidas em raggaton... – disse Tufa.
- Eu gostava. – disse Andreia ofendida.
- Ora... – disse Tufa agarrando no embrulho com receio. – Está aqui a nota. Fique com o troco...

Tufa saiu a correr. Ma’linda lembrou-se e veio à porta da loja, e gritou para Tufa que já ia ao fundo da rua, em hora de ponta:

- E se o seu amigo quiser, ele que venha cá depois que a gente faz-lhe o bico! – sorriu Ma’linda acenando alegremente a um fantasma que olhava espantado para ela do outro lado da rua.

- - - - - - - - - - - - - - - - - - Intervalo - - - - - - - - - -

Vote na Sua Família favorita para deixar a casa!!!
Ao votar na Família Super-Poop (cócó em português) está a contribuir para um Portugal sem desafinos e a sua chamada dá-nos dinheiro suficiente para podermos pagar à Bárbárie Guimarães.

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Quando Tufa se aproximou da garagem de Hugo pensou duas vezes. Entrava, não entrava... Já se conheciam há muito tempo, mas isso não queria dizer propriamente que importasse para alguma coisa. Cisse estava à porta da garagem a hiperventilar.

- Passa-se alguma coisa?! – exclamou Tufa fazendo uma boquinha.
- O Hugo... Além de estar a tocar aquelas musicas tumulares dos Abba, não tem bebidas alcoólicas de jeito e está a dançar agarrado a um varão. – disse Cisse. – Ele já não é a mesma pessoa... Algo de estranho se passa.
- Deve ter sido desde que começou a ouvir os Abba. – constatou Tufa.
- Qual quê... A mãe dele tinha os discos em casa. Ele sempre ouviu aquilo. Uma vez para o gozo ainda vá, agora fazer daquilo a sua banda sonora diária é um bocado mau... E agora anda feito parvo a dizer que vai fazer um altar aos Abba. – disse Cisse preocupada. – Que lhe vais oferecer?
- Uma coleira de bicos... Ele andava com a mania que era Hardcore... – disse Tufa.
- Pois. Boa sorte.
- Então... Que lhe ofereceste? – perguntou Tufa receosa.
- Ofereci-lhe uma sapatilha de cada, e ele disse: Ah...Porque não as calças tu?! Ele está perdido... Fizeram-lhe uma lavagem ao cérebro desde que foi para aquela coisa da Vila Natal...
- A quem o dizes... – disse Tufa esbugalhando os olhos e abanando a cabeça.

Quando Tufa entregou o presente redondo, Hugo encheu-se de alegria.

- É um cd dos Abba?! – perguntou ele.
- Quantos cds tens?! – perguntou Tufa.
- Os nove albuns de estúdio, onze compilações, o albúm antes de serem conhecidos como Abba, o albúm que nunca saiu, três albuns de comemoração, dois albuns de raridades, três albúns ao vivo, um album em que eles tocam e fazem duetos com outro artista, tenho dois albuns a solo da loura, a Agnheta, tenho...
- Chega! Não são já os suficientes? – perguntou Tufa.
- Sem contar com os mais de quarenta remixes que eu tenho... Mas... Uma coleira de bicos?! – exclamou Hugo ao abrir o embrulho. – Isto era bom para quando eu estava numa fase mais hardcore...
- Então e agora estás em que fase, pode-se saber?! – gritou Tufa irritada.
- Anos setenta... – disse Hugo.
- Cala-te. – disse Tufa quando Cisse se aproximou. – Esta festa era supostamente para ser nossa. Mas tu és tão egocêntrico que pronto... Tinhas de transformar isto ao teu gosto... E vê lá se paras com essas merdas de fases e merdas penduradas porque se não queres dizer às pessoas o que significam, não as provoques!
- Mas é íntimo... – queixou-se ele.
- Se é íntimo não andas por aí a exibir, quando não queres falar disso. És cona ou quê?! – gritou ela pondo toda a gente a olhar.
- Eu tenho um presente para ti... – tremeu Hugo com um embrulho na mão. – É um telemóvel... Fui ontem para lisboa acampar à porta da loja para poder comprar...
- Oh... – disse Tufa arrependida de tudo o que lhe dissera antes.
- Tem uma capa dos Abba, e os toques são todos reais, e o tema é o Fernando, e a Chiquitita dos Abba... Para te lembrares de mim. – disse Hugo.

Tufa ficou boquiaberta. Cisse, estupfactiada.
- Olha, enfia o telemóvel no cu! – gritou Tufa. – Assim, quando quiseres cagar e não conseguires, chamas o Fernando! Cisse?
- Sim, vamos. – assentiu Cisse.

E assim a festa acabou. Hugo. E os Abba. E a coleira de bicos na mão. Então sentou-se sozinho na cadeira. Então mandou um pontapé na aparelhagem e os Abba ficaram um bocado riscados. Sempre a entoar a parte “Aha” do tema Voulez-Vouz. Durante mais de dez minutos enquanto Hugo pensava no que podia estar errado para os seus amigos terem tanta raiva, mas realmente... Não conseguia perceber. Então colocou a coleira ao pescoço. E o chão começou a tremer. De repente houve uma rajada de luz. E um grito polifónico.

Ma’linda que estava sentada na sua casa, a ver a sic, com o seu Jimbo, pressentiu que algo estava errado. Tinha adormecido a ver a Família Super-Poop e sonhou com uma coleira de bicos. Era estranho, mas não conseguia perceber quem era a pessoa que usava a coleira no seu sonho. Jimbo olhou a sua amada.

- Não telefonaste para a sic enquanto eu dormia, pois não?! – disse Ma’linda.
- Eu?! – disse ele ofendido.
- Bom. Tive um sonho estranho... Sonhei com a coleira de bicos que vendi hoje a uma rapariga. É isso! Ela está em apuros! Amanhã vou tentar telefonar-lhe.
- Amor, vai dar o Entre Vidas. – disse ele. – Aquela série que tu gostas de ver, em que a Melinda Gordon ajuda os espirítos a ir para a luz.
- Isso é tudo treta. – disse Ma’linda. – Entre Vidas? A pessoa já está morta, não pode estar entre vidas...
- É metafórico... Não compliques o que é simples. – disse Jimbo olhando para ela, depois fechou os olhos, fez uma boquinha.
- Estás bem?! – exclamou ela.
- Era para me beijares... – disse ele.
- Se queres que eu te beije, pedes, não esperes que eu me voluntarie. – disse ela cruzando os braços.
- Ma’linda podes beijar-me? – perguntou ele.
- E?
- E... depois podemos fazer amor?! – completou ele.
- Não tens maneiras, não? E... se faz favor! – ralhou ela.
- Beija-me se faz favor, mulher que se casou comigo por amor... – disse Jimbo.
- Sabes bem que não posso beijar e ver televisão ao mesmo tempo. – disse ela.

Alguns momentos depois Entre Vidas começou a dar na talevisão, para ser interrompida logo de seguida com a emissão especial do Jornal da Noite. Joca Malhoa, pai de Ana Mamalhôa fez uma ameaça pública ao marido dela. Ia torcer-lhe o pescoço em três sítios diferentes quando o apanhasse, e para ele confessar que assassinou a mulher a sangue frio. Ela gostava dele. E ele deu-lhe um balázio no coração. Amor, com amor se paga.

- Não acredito... – disse Ma’linda, no dia seguinte, na sexshop. – Que tenham imterrompido a emissão para dar aquilo.
- Eu acho bem! Eu gostava da miúda, ela era boa cantora. – defendeu Andreia. – E acho que o que o marido fez foi muito mau!
- Eu acho que ele não matou ninguém. Para quê matar a mulher, quando se pode dormir com outras e sem a mulher saber? Assim, o espiríto dela anda por aí, sabe Deus onde e vê tudo... E ainda amaldiçoa o marido! – gozou Ma’linda. – Eu acho é que deviam ter dado o Entre Vidas mais cedo.
- Ah... Não gosto dessa série. E aquela rapariga que faz de Andrea, que é sócia da Melinda Gordon no antiquário, é um bocado canastrona. – disse Andreia.

Momentos depois, Tufa voltou a entrar na loja. Olhou de novo para os artigos que estavam expostos como se nunca tivesse visto tal coisa. Aproximou-se do balcão.

- Então veio comprar uma coleira para si? – perguntou Ma’linda.
- Não. Vinha perguntar se me reembolsam... – disse Tufa. – Eu não tenho aqui o artigo que comprei, mas assim que apanhar o idiota do meu amigo...
- Você não sabe do seu amigo? – perguntou Ma’linda preocupada. – Eu acho que sonhei com ele.

Tufa fez uma careta e deu um leve passo para trás. Depois piscou os olhos muito depressa e engoliu em seco.

- Bem, cada um com os seus fétiches. – disse Tufa.
- Não é isso... É que eu... Eu vejo mortos. – disse Ma’linda, enquanto Andreia estava atrás dela a fazer sinal a Tufa, a dizer-lhe que ela bebia. – Acredite.
- Pois... – disse Tufa abanando a cabeça. – Ouça, se não me quiser dar o reembolso eu percebo, escusa de estar para aí a dizer que vê mortos e que tem sonhos com os meus amigos... Isso não me comove...
- Não. Você percebeu mal. Eu ajudo os espíritos a passarem para o outro lado. – explicou Ma’linda. – E ás vezes eles comunicam comigo atravéz de imagens... Atravéz de símbolos. Eu sonhei com a coleira de bicos, ao pescoço de alguém indefenido, porque eu não conheço o seu amigo...
- Não o conhece, mas acertou na palavra para o classificar. Indefinido... – disse Tufa. – Mas acha o quê... que ele morreu?
- Talvez... – disse Ma’linda. – Onde costuma estar ele a esta altura?
- Hum... – disse Tufa preocupada. – Deve estar a limpar a lixeira que provocou ontem na garagem por causa da festa...
- Ok, vamos lá.

Com a mala a tira colo, Tufa e Ma’linda fizeram-se à estrada e quando chegaram ao pé da garagem de Hugo não havia nada mais senão silêncio. E um carro todo tuning. Tufa e Ma’linda analizavam o local, quando surgiu a cabeça de Hugo do outro lado do carro.

- Como é que é?! Quero ouvir! – gritou ele sobressaltando as duas.
- Hugo... – disse Tufa com um ar enfastiado. – Que carro é este?
- É...o meu. – disse ele com um grande ar de satisfação.
- Eu não disse... – murmurou Tufa para Ma’linda. – É uma coisa diferente cada dia que passa... Hoje armou-se em tunner... ou seja lá o que fôr... E os Abba?
- Abba?! – exclamou Hugo fazendo uma boquinha e uma pose meio estranha para elas. – Blaaarg... Ninguém ouve isso...

Tufa agarou numa pedra e atirou à cabeça de Hugo com muita raiva, e esta rebentou pelo capô do carro fora...Pelo menos imaginou pegar na pedra. Tufa abanou a cabeça e decidiu, abandonar o local antes que fosse tarde.

- É estranho. – disse Ma’linda.
- A sério? Eu não a trouxe aqui para constatar o óbvio... – desabafou Tufa. – Olhe que você também...
- Não, não é isso... Eu sinto uma presença. Sinto que está aqui um espírito... Mas não consigo perceber onde... Não o consigo ver... – disse Ma’linda focando a sua atanção no pavimento para tentar captar alguma coisa... Mas a única coisa que ouviu foram uns murmúrios distantes.

Tufa fechou os olhos por momentos, inalou profundamente e tentou ser racional.

- Vocês estão a gozar comigo não é? Não faz mal... Eu... – disse Tufa olhando para Hugo que se aproximou de Ma’linda.
- Esse decote não é maior que o meu. – disse Hugo apontando para os seios de Ma’linda.
- Já percebi que estou a mais... – disse Tufa pondo a mão no ombro de Hugo. – E, Hugo. Tu não tens decote nenhum.

Tufa foi-se embora. Ia pelo caminho a falar com Cisse ao telefone e a barafustar. Aquilo estava a ir longe demais. Hugo estava a fitar Ma’linda nos olhos. Ela sabia que ele estava acompanhado de um fantasma algures. Talvez ele conseguisse bloquear-lhe a energia. E assim ele não se conseguia manifestar. Ma’linda tentava perceber como é que ele tinha a habilidade de bloquear as energias de um fantasma... Mas também percebia que ia ser um trabalho duro, pois o rapaz parecia ser... bem. Ser. Mas no momento seguinte houve uma luz intensa que erradiou da garagem e explodiu mesmo em cima dos dois numa rajada de vento. E quando explodiu, Ma’linda pôde ouvir as palavras “Estou aqui... Ajude-me”.

Ma’linda entrou dentro da sua loja com o cabelo todo despenteado e um ar meio atordoado. Ela tinha em mãos um caso complicado. Então olhou para Andreia e depois olhou para o computador.

- Temos de descobrir quem estava a vender aquela coleira de bicos, pois ela pode abrir-nos a porta para o espírito que anda a assombrar Hugo e quer passar alguma mensagem. – disse Malinda abrindo o site do miau.
- O leilão já não está disponível. Mas tenho aqui a nota de encomenda... É uma tal Adília.. Está aqui a morada dela. – disse Andreia pegando num papel que estava enfiado num monte deles.

Ma’linda telefonou a Tufa e de seguida ambas estavam a bater à porta de Adília, que morava num monte, no meio do nada. Tufa ainda não sabia muito bem porque razão estavam ali. Adília abriu-lhes a porta. E ficou a olhar para elas.

- Olá... Eu sou a Ma’linda e estou aqui porque recentemente lhe comprámos uma coleira de bicos... – disse ela.

Adília esbugalhou os olhos, olhou para um lado e para o outro para ver se ninguém estava a ouvir, mandou-as entrar depressa e fechou a porta.

- Vocês são da polícia? – perguntou Adília receosa encostada ao armário, onde tinha uma espingarda guardada.
- Não. – disse Ma’linda.
- Ah! – exclamou ela afastando-se do armário. – É que se fossem, comiam já duas balas na testa...
- Desculpe? – disse Tufa assustada.
- Sentem-se então! – exclamou Adília apontando para a mesa. – Querem um chá e uns bolinhos? Sim? Então eu vou buscar.

Adília voltou sorridente, e serviu os convidados.

- É muito simpático da sua parte. – disse Ma’linda.
- Obrigado. – disse Tufa.
- Então que vos tráz por cá? – perguntou Adília quando Ma’linda tirou uma foto da carteira e a colocou em cima da mesa. – Isto.
- É uma coleira de bicos... Eu não uso... Podem ir vendê-la a outro lado. Vocês são tipo... Círculo de Leitores do Sexo ou quê?! – troçou Adília.
- Nada disso. Você vendeu-me esta coleira em leilão pelo miau. Lembra-se? – perguntou Ma’linda.
- Como é que sabem isso? Eu tinha um nick no site... – disse Adília. – Eu quero permanecer anónima quanto a esse colar... percebeu? – disse Adília baixinho.
- Você mandou isto pelo correio quando o carteiro, passou por aqui e ele preencheu o remetente. – disse Ma’linda.
- Cona do caralho, filho de uma puta da merda! Aquele cabreiro da cabra que o pariu... Quié? Não olhem assim para mim! Eu sou uma mulher do norte e digo o que eu quiser, olhó caralho! – disse ela apontando para cima, ao que ambas olharam. – Estão a olhar para onde?
- Você disse: olha o caralho e apontou... – respondeu Tufa com um sorriso amarelo.
- Não sei do que raio estão a falar. – disse Adília tirando o biscoito da boca de Ma’linda e apontando para a porta da sua. – Desandem daqui caralho!

Ma’linda e Tufa foram corridas dalí para fora, mas deram a volta à casa e espreitaram pela janela. Adília estava a gesticular e estava a falar ao telefone. Mas não se conseguia ouvir nada. Então ela pegou numa fotografia da Ana Mamalhoa e tudo fez sentido.

- O seu amigo está a ser assombrado pela Ana Mamalhôa. – constatou Ma’linda.
- Ok. – disse Tufa sacudindo a terra das calças. – Eu tenho mais que fazer que andar por aqui a aturar gente doida... Tenho de ir para casa porque tenho um trabalho para fazer e ninguém me ajuda.
- Um trabalho sobre o quê? – perguntou Ma’linda enquanto se afastavam da casa de Adília.
- Pediram-se para fazer um trabalho sobre uma viagem. – disse Tufa encolhendo os ombros.
- Não pediu ajuda a ninguém? – perguntou Ma’linda.
- Pedi. Pedi ajuda ao Hugo. Disse: ajudas-me com um trabalho sobre uma viagem? Ele sorriu e deu-me uma pastilha de LSD. Idiota... – suspirou Tufa.
- Ok. Vamos tratar disto de forma simples e racional! – disse Ma’linda. – Vamos ter com o Hugo à garagem e levamos um tabuleiro Ouijá.
- Simples e racional?! – exclamou Tufa.
- Traga uma terceira pessoa e velas. – disse Ma’linda.
- Para que devo trazer companhia? – perguntou Tufa.
- Para completar os quatro elementos. – explicou Ma’linda.


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-------------------------------------- Entre Mamas ---------------------------


Naquela noite, Tufa, Adília e Ma’linda estavam na garagem, cheia de velas e um tabuleiro no centro, quando Hugo chegou e ficou a olhar para elas. Fitou Tufa por momentos, ela tinha uma expressão que lhe pedia para não fazer perguntas. Adília e Ma’linda sorriram.
- Hugo. – disse Malinda. – Preciso que me dê a sua mão para podermos comunicar com o espírito que o atormenta.
- Olha para esta... – suspirou Hugo. – Ninguém me atormenta! Que raio de conversa é essa? – disse ele ajeitando a coleira de bicos.
- Anda lá fazer esta merda já antes que eu me cheteie! Eu vim para aqui perder o caralho do meu tempo e tenho mais que fazer. Vamos lá a despachar esta merda! – disse Adília.

Então Hugo sentou-se muito sossegadinho. Ma´linda apagou a luz e ficaram à luz das velas, a segurar as mãos uns dos outros enquanto Ma’linda se concentrava. Pouco tempo depois começaram todos a ouvir uma voz, vinda do além.
- ... qual quê... diz que anda possuído! Mas isso já toda a gente sabia... Não era preciso ir lá uma tipa que diz conseguir ver mortos para investigar o Hugo... – disse Cisse.
- É a voz da Cisse. Será que ela morreu? – perguntou Tufa.
- ...care...lho... olha... – continuou Cisse. – O telemóvel está a fazer feedback, acho que alguém está a ouvir a conversa, vou desligar. Até amanhã mãe.
- Ups... – sorriu Ma’linda. – O Ouijá apanhou uma frequência errada. Chamo agora o espírito que anda a assombra o Hugo.

Momentos depois o tabuleiro de Ouijá começou a desenhar as letras e a formar as palavras “Marido” e “Bico”. Hugo tinha a testa franzida, e elas olhavam para ele espantadas.
- Andaste a fazer um bico ao marido de alguém?! – perguntou Adília.
- ... – disse Hugo com uma careta. - ...!
- Não é nada disso. O espírito está a tentar passar uma mensagem. Neste caso... Não consigo perceber palavras soltas. – disse Ma’linda.

Então o tabuleiro desenhou as palavras “Como é que é?!” e “Buéréré”. Ma’linda lembrou-se que ele estava a ser assombrado pela Ana Mamalhôa! Mas não conseguia entender como é que ele lhe abafava a energia para ela se poder manifestar. O tabuleiro voltou a desenhar a palavra “Bico”. Ma’linda pensou por um bocado enquanto olhavam todos uns para os outros. Ela comprou o colar de bicos a Adília que era a sua acessora. Depois vendeu a Hugo e então as manifestações começaram... O colar estava quase como novo, mas falta-va-lhe um bico! É isso! Qaundo ele o colocou ao pescoço, foi possuído pelo fantasma de Ana Mamalhoa. Ma’linda pediu a Hugo que tirasse o colar. Assim que ele o fez, o espírito de Ana Mamalhôa apareceu diante de Ma’linda.

- Ana Mamalhôa?! – exclamou Ma’linda com os brutais seios dela à frente da sua cara.
- Preciso que ajude o meu marido, ele está inocente! Ele não me matou! – disse Ana.
- Ela está a falar com a Ana Mamalhôa?! – exclamou Tufa. – Isto é ridículo... Vou-me embora.
- Espera! – disse Hugo que parece que tinha acabado de acordar. – Parece que me tiraram um peso de cima...
- Ora cala-te! Primeiro és hardcore, depois anos setenta, depois tuning... e no afinal das contas vem-se a descobrir que fazes bicos a homens casados! Por favor... Eu sei que ao fim de dez anos de amizade devíamos estar a felicitarmo-nos, mas sinceramente eu não aguento mais. Por isso... Acaba-se já aqui esta merda toda! – gritou Tufa.
- Mas ele nunca fez bicos nenhuns! – explicou Ma’linda.
- Ah! Já estou a perceber... Participava em orgias com ele não é? E agora está a encobri-lo... – disse Tufa em pé, abanando a cabeça.
- Os bicos são por causa da Ana Mamalhôa! – disse Ma’linda.
- A Ana está morta. – disse Tufa. – Parem de gozar com a senhora! Eu até gostava de ouvir. Vou-me embora.
- Foda-se. – desabafou Adília.

Hugo, por mais estranho que pareça também conseguia ver Ana Mamalhôa e esta pediu-lhe desculpa pelo sucedido e pelos mal entendidos. Ana precisava de falar com o seu pai. Então, no dia seguinte, Hugo e Ma’linda foram a um estúdio na vila, e Joca Mamalhôa estava lá. Ma’linda quase foi corrida. Mas quando disse que eles estavam a pensar fazer um dueto entitulado “Eu vou a todas as Latinas” e que era o mais alto segredo, o senhor assentiu.

- Ela está a dizer para deixar o marido dela em paz, porque... ele estava a usar esta coleira de bicos quando estavam a ter relações sexuais. – disse Ma’linda segurando a coleira. – Mas eles entusiasmaram-se tanto que um dos bicos saltou disparado e cravou-se no peito de Ana. Sua filha. Por favor ele está inocente.
- Filha... – disse Joca. – Eu... Amo-te muito.
- Ela também. – disse Ma’linda. – Se ama a ela própria. Por favor, vá à prisão e fale com ele. Quando sairem os resultados da perícia, vão ver que tudo não passou de um acidente. – sorriu Ma’linda.

No dia seguinte estavam os dois na sala de Ma’linda a ver as notícias. Joca tinha perdoado o marido de Ana, e este tinha saído em liberdade. Ana apareceu-lhes.

- Obrigado. – disse Ana Mamalhôa. – Já vejo a luz, agora vou descansada. Hugo, podes voltar a usar a coleira, mas não a vendas no miau.
- Eu?! – exclamou ele pensando em fazer isso mesmo. – Nunca. Vai descansada.
- Vai. – disse Ma´linda.

Ana Mamalhôa sorriu, acenou e dirigiu-se para a luz.

- Ahm... Ana! – disse Hugo. – Isso não é a luz. É a televisão. A luz é alí. – disse ele apontando para a porta da despensa.
- Uhh... – disse Ana. – Como é que é? Quero ouviiiii.......r – disse Ana desaparecendo.
- Hugo. – disse Ma’linda com um decote monumental, chegando-se mais perto. – Agora que estamos a sós... Eu queria saber como é que consegues ver os fantasmas...
- Bom... Eu posso mostrar-te, mas e o teu marido?
- Nem que eu esteja nua... Ele nunca “vê” nada. Não percebes? – disse Ma’linda saltando para cima de Hugo entornando as pipocas pelo sofá fora.

Naquela tarde fizeram amor. E ambos viam fantasmas. Amor do outro mundo. Mais tarde, naquele mesmo dia, Hugo cortou o cabelo. Fez uma franja. Sim, porque quem vê fantasmas tem por tradição envergar uma franja na testa, símbolo do poder extra-sensorial que se ganha em detrimento da diminuíção da visão por essa mesma causa cabeluda. Hugo pegou num poema muito bonito e para pedir perdão à sua amiga Tufa, dirigiu-se à rua onde ela morava e atirou pedras à janela. Quando ela apareceu, ele começou a declamar:

- Tufa, pensa nos dez anos de amizade que temos… Perdoa-me! – disse Hugo.
- Desaparece! – gritou Tufa quando Hugo olhou para o papel que tinha nas mãos.

- “Tristeza pode ser um sentimento Sentimento menos bom Talvez… Mas lembra-te Existe alguém que esta a mandar isto para ti Simples palavras… simples frases… simples letras!!! Simples coisas, não são??? Mas…” – disse Hugo.

- O quê?! – gritou Tufa irritada.
- “Sempre que te sentires sozinha lembra-te Que existe uma pessoa que está a pensar em ti Uma pessoa amiga ou até uma inimiga Mas se está a pensar em ti é porque fazes diferença A diferença na vida dela… Mas não te esqueças no fim de ler isto que Todos os que leram isto pensam o mesmo que tu… Porque tem alguém que se lembra de nós Por isso vamos provar que a tristeza pode ser um sentimento bom… Inimigos para um dia Amigos para sempre amigos para uma vida… Palavra simples amigos não é…?? =) Mas o que é um amigo…??” – continuou Hugo.

- Cala-te mas é! – gritou Tufa. – Olha a minha vida hã…
- “Afinal eu sei Escrevi isto porque quero mostrar que um amigo Não é uma simples pessoa, não é só alguém, É alguém que diz… estou aqui para sempre… Estou aqui para ajudar-te… Estou aqui para um sorriso te dar… Uma lágrima te limpar… Desse rosto que no meu coração vou guardar… Amigo que é amigo canta para te animar… Amigo que é amigo faz qualquer merda para um sorriso na tua cara ficar… Afinal isto tudo para dizer… amigo que é amigo!” – sorriu Hugo. – Perdoa-me!

- Olha! – gritou Tufa com um balde de água na mão. – Para a próxima que queiras tentar pedir-me desculpa, escreve alguma coisa original, e não vás roubar os poemas ao meu namorado, o Gabriel Dinis! – Tufa mandou a água para cima dele e o balde também. – Seu paneleiro do caralho! – gritou ela fechando a janela.

Hugo ficou todo encharcado no meio da rua. Enquanto um fantasma se partia a rir e apontava para ele.


FIM

Entre Mamas

Brevemente mais uma série fantástica.

Até podia ser. Mas optei por não ser.

Esta é a trágica história de uma menina que cresceu vitimizada, e incapaz de ver um palmo à frente do nariz por causa da franja. Mas que um dia conseguiu ouvir mais Além.
E hoje em dia ajuda os mosrtos que lhe pedem ajuda para atravessar para o lado de lá. Ajuda-os a caminhar para a luz.

E não vai haver pomba gira que lhe valha!

CSI: PÉNICHE - - - BERLENGUE




Desta feita, os nossos investigadores vão investigar dois crimes que aconteceram na, e a caminho da Berlenga. Será uma coisa mesmo muito porca de se analisar, mas para eles, a ciência está para lá do que é realmente possível fazer, para encontrar o assassino. Nem que seja preciso decorar o ADN de todos os habitantes de Peniche e arredores.

Ehehe

Enquanto o epsiódio dois está em produção, gostava de agradecer por terem lido o primeiro episódio e gostava de vos pedir um grande favor!!!
*
*

Estou a aceitar sugestões, ideias e afins para este, ou um dos próximos episódios, por isso deixem-na aí que eu vou tomar em consideração e tentar surpreender-vos!!!

*
*
Fiquem bem :)
E vejam lá por onde é que andam a deixar o AMD... DMA... AND...NDA.... Enfim aquilo****

Cereal Quiter

Sufoco o inimigo com uma maçaroca
Até ele me prostituir os sentimentos
Que sabe serem tão meus quanto
Dele, mas que não quer admitir
Que mais que ele, podemos ser nós
O que ele só não é capaz...



Caminho um passo à frente
Da escuridão que resvala
Passo atravéz de uma caixa
De cereais que a ex segura
Do ex que me alimentou a imaginação

Posso ser Hugo de mim, como
Posso ser o Hugo de ti, o Hugo
De Nós, como o Hugo que na noite
Sai para tentar perceber o que de
Dia não encontra na luz

Escrevo as palavras que desejo
Queimar para marcar a altura
Em que tudo acontece
Disponho os meus segredos ao
Vento que não quer fechar
As caixas de cereais...

De todos os que fui, de todos
Os que não fui, de todos
Os que ainda espero ser, sou
Todos sem ser um..

Espalho os cereais pelo
Chão e fico à espera de ouvir
Os meus próprios passos
Pisarem o que pela manhã
Parecia ser risonho e pela
Noite é um fantasma de mim..

Posso tentar cortar os pulsos
Do fantasma que caminha
Á minha frente apenas para me ver sangrar
Para me ver caminhar para fora
De uma caixa de cereais

Para conversar com o Hugo
Que fui, com o Hugo que fui,
Com o Hugo que era, que era
O Hugo que era, para tentar saber
Agora, que Hugo sou,

E Somos homens e mulheres
Mulheres dentro de homens
Homens dentro das mulheres
Dentro dos homens dentro
Das mulheres dentro de mulheres
Dentro de homens em caixas de cereais.


Hugo Ribeiro
THF - O Livro

Sexo e a Vivacidade


Sexo e a Vivacidade

Há pessoas que não gostam muito da ideia de partilha de si próprias sem que haja alguma coisa mais que sexual entre essa pessoa e a outra. Por consequência não tem muitos relacionamentos e não se abre muito a estes. Mas quando se abre, deixa-se ir.

Relações começam e acabam mais depressa que a Sé de Braga, deixando para trás um piscina de dúvidas e questões, ‘e’ e ‘ses’; intermináveis lembranças e minutos largos a olhar para a caixa de cereais na prateleira de um supermercado porque nos lembra daquela certa manhã em que tudo parecia perfeito e na tarde do mesmo dia já nada batia certo.

O tempo passa e tudo cura. As pessoas avançam, decidem as decisões de esquecer o que não se quer esquecer porque daí algo se quer aprender... Aprendemos de facto então o que raio queremos e queremos uns dos outros? Ou teremos de ser os outros para percebermos então o que raio querem eles e assim sendo o que queremos nós deles?!

Complicações à parte, o mar acalma e o barco vai de novo à pesca. Quando pensamos que tudo vai passar e que a porta está fehcada, sentimos a corrente de ar.

E este fim de semana foi assim. Quando já tinha decidido que ia esquecer, recebo a visita do outro lado da ex-qualquer-coisa-seja-lá-o-que-tenha-sido. As conversas são sempre cordiais de assuntos triviais e a pergunta mais que fudida ensombra a cabeça de ambos enquanto nenhum de nós quer realmente saber.

- Então e tens estado com alguém?! Conheceste alguém de pois de...

Por vezes basta uma mentirazinha para esmifrar o outro até reduzi-lo à pequenez da sua insignificância. Mas a honestidade de uma pessoa séria é sempre melhor para a conseciência de quem quer realmente esquecer o assunto.

- Não?! Mas devias. És jovem e giro, o mundo é grande. Tens de viver! Tens de conhecer pessoas... Tens de sair com elas, e (...) . Aproveita a vida que só somos jovens uma vez. Acho que devias ser mais....bla bla bla....

Porque raio é que há pessoas que acham que temos de vivenciar o mesmo que elas?! Desde quando é que promiscuidade é sinónimo de viver a nossa tão preciosa jovialidade e aproveitá-la?! Desde quando a vida é um conjunto de experiências de ver lugares e foder pessoas?

Compreendo e depreendo o facto de uma relação ser o ponto mais importante na vida de muitas pessoas, ou da ausência desta não ser de facto uma coisa tão importante assim. Mas tornar-me um prostituto sentimental?

De facto a vida é um conjunto de lições e experiências.

Mas não é um conjunto de experiências e as sua lições.

Hugo Ribeiro

Hugo Ribeiro - "Navalha de Dois Gumes"


As mulheres são suaves
Os homens são ásperos

Selvagens e livres

Presos e preocupados...


Deixei para trás três milhões
De pedras, que por ora incendiei
Tornaram-se combustíveis

Dos sonhos que murcharam e secaram

Num chão que nunca será o mesmo

Tocado pela mulher e pelo homem

Que aqui já habitaram


Pergunto-me então como poderia

Fazer dos dois um só e

Tornar esta dor mais só,

Escondida de mim mesmo quando...

Farto do que me dizem que é,
Farto de fazer como deve ser

Feliz por tomar a acção

E fazer dela a experiência


De como nunca foi,
E de como já não tem de ser

Mesmo que preciso seja caminhar

Pelas pedras que agora ardem
Para aprender que o fogo queima


Sei que se chorar os sonhos que

Murcharam não vão evaporar

Porque me disseste que eu era bonito

Se não querias comigo ficar?


Hugo Ribeiro - Navalha de Dois Gumes
THF - O Livro


Para as duas pessoas que me ensinaram a caminhar sobre o fogo,
Maria, Olivier.
Demaiado longe, demasiado bonitos.

Por mim chegam estas, que venham novas aventuras,
O mundo é grande o suficiente.

Take a Change on Me


Changing. Mudar nunca é fácil.

Um dia somos uma coisa e no dia seguinte somos outra completamente diferente. Cheguei a uma etapa que tudo parece mais claro.

Sei quem sou e sei quem fui. E absurdamente, tudo o que bastou para perceber isso, foi um episódio do Sexo e a Cidade, onde Alanis Morissette beija a Carrie Bradshaw.

Há por aqui tanta coisa nova, como velha. E estou feliz por poder misturar as duas e perceber o quão estúpido o ser humano pode ser. Estúpido de ignorância, não de atitudes.

Perdoei o que tive a perdoar. Agora que olho à volta e vejo o mundo a cair. A Márica e as voltas que o mundo lhe deu. Não podemos tomar nada como certo e por vezes o que pensamos ser felicidade pode ser apenas um bem estar. Caímos na ilusão de que amamos de que fazemos e acontecemos... Não estou a dizer que o que ela sentia era um ilusão, estou apenas a divagar.

O que quero dizer é que por vezes basta vermos a realidade, a nossa realidade, vista do ponto de vista do observador, para nos apercebermos do que realmente interessa. Absurdamente, foi o Sexo e a Cidade.


E portanto, com tanta coisa a acontecer à minha volta, e tendo estado a osbervar realidades, acontecimentos, atitudes e mudanças, creio que é esta a altura ideal para seguir em frente com o que realmente quero fazer, sem que ninguém me volte a dizer aquilo que acha de mim, sem eu pedir a opinião primeiro.

Tufa***
Familia Natal***
Filipa e Fernando***
Márcia e companhia limitada***
Marifoda***
Olivier***

A vida dá-nos a perceber tudo. Por vezes não vemos é nada. Não mais é do que o somatório de experiências que nos fazem crescer. E quem aprende com isso, na minha pessoal opinião, é mais feliz. Esquece e continua, a saber mais. Aos listados acima, obrigado.

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BREVEMENTE!

Não percam o regresso das Desventuras da Be, e os crimes hediondos e misteriosos de Peniche!


DIÁRIO DE BEYONCÉ















CSI PENICHE!


Diário da Beyoncé

Diário da Beyoncé
Parte 2


Foto: As cambalhotas que eu dou pelos homens, e no fim..... levo é... cambalhotas!

Bem , trabalhar com a espanhola ou lá o quê, foi muito duro... O raio da mulher não parou um segundo de abanar as ancas e de falar de um tal de Alejandro Sans... Mas pronto, hoje estou aqui para falar do meu novo single e como a canção mais fantástica de todas surgiu! “You Must Not Know About Me”, espera... não é assim que se chama... É a “Irreplaceable”. É sobre o conácio do meu ex-namorado o Mega-MC... Eu descobri umas coisas que não gostei... Sabem que ele gostava muito de ir ao meu armário, que é do tamanho tipo, grande, e ficava lá fechado durante bué de tempo... Comecei a desconfiar. Primeiro pensei: ah, homens, de vez em quando também precisam de estar sozinhos. Mas depois a Michelle (um dos elementos das Destiny’s Child) telefonou-me, mesmo quando eu estava ocupada, chata do ca?#$&/, mas ela disse-me: «Vê lá que ele vai para o armário sniffar as tuas cuecas e masturbar-se!» Lógico que eu achei aquilo nojento e não percebi como é que uma pessoa pode ter a lata de ir para o armário de outra sniffar-lhe as cuecas, quando pode sniffar “the real deal”, ou seja, a coisa bem real... Que sou eu, sou uma braza! Eu tenho um rabo que chega para ele e muito mais! Então sacudi o meu longo cabelo loiro e fui bater à porta do armário.

- Olha lá, pensas o quê?! – gritei eu do outro lado de cá do armário.
- O quê?! – respondeu Mega-MC.
- Larga-me das cuecas! – gritei eu.

Bem, mas nem sabem... Eu sou uma rapariga que sei o que quero e sei tomar decisões sozinha pela minha própria cabeça. Sacudi os tufos respeirei fundo, e abri o armário. Olhei para ele. E fiquei pasma...

- Importas-te de uma vez por todas, de sair da merda do armário?! – disse eu com um vestido à minha frente.
- Querida. – disse Mega –MC. – Isto não é o que parece...
- Claro, nunca é... Vocês homens são todos iguais. Não vês a mulher que há em mim?!
- Ah... Não, estás atrás do vestido. – disse Mega-MC.
- Vens para aqui sniffar as minhas cuecas, achas isso coisa de pessoa normal?! – perguntei eu quando saí de trás do vestido pendurado e fiquei atónita com o que vi.
- Eu sou uma pessoa normal. – disse Mega-MC.
- Ahm, então porque carga de àgua estás vestido com o vestido que levei à merda dos óscares?! – perguntei eu com as mãos nas ancas, e o pé direito a bater, quase quase a fazer um ritmo fixe, mas dramático.
- Os óscares é um evento bué. – disse Mega-MC.
- É tão bué que ainda não me pagaram. – disse eu. – Vá, sai do armário e explica-me de uma vez por todas porque é que gostas de vir para aqui... Vestir-te de Beyoncé, sem rabo... Ou preferes que eu te expulse a pontapé?
- Eu posso explicar. – disse Mega-MC.
- Aposto que me vais dizer que vieste cá ligar o ambientador e que de repente o vestido caiu do cabide e apoderou-se de ti... – gozei eu.
- Claro que não é nada disso! Estás parva ou quê? Só vim mudar a fragrância do ambientador. É. – disse Mega-MC.
- Mega, eu amo-te, mas isto não pode continuar... Sabes que no armário estão as minhas coisas, e se eu as comprei, por favor não toques nelas.
- Mas querida... O que é meu é meu, o que é teu, é meu... – disse Mega.
- Lá porque estamos em Portugal, não quer dizer que me venhas com trocadilhos sem graça de dizeres populares! – disse eu já emocionada. – Não vês que não és insubstituível? Se continuares com essas mariquices eu... Deixo-te.
- B, eu sei mas eu não consigo... Eu sou gay. – disse Mega.
- Não tens nada mais convincente para me dizer? – perguntei eu aborrecida.
- Ok. Eu estava a ver se conseguia rapinar-te um vestido sem que desses por isso... – disse Mega.
- E ías passar pelos seguranças vestido dos pés à cabeça de lantejoulas prateadas e um decote de bradar aos céus?! – exclamei eu irritada.
- Claro que não! Não me tomes por um idiota qualquer. Eu queria oferecer este vestido à tua prima, a Kelly... Ela é tão fixe... E então ia agora vestir o meu fato de treino por cima do teu vestido, e ia dizer-te que ia fazer jogging... Para disfarçar... – disse Mega.
- Tu ias oferecer o vestido que levei aos óscares, que é um vestido de corte único, à minha prima e achas que eu não ia dar por isso?! – gritei eu atirando-lhe com um sapato.
- Sei lá! Passas horas a mandar gritinhos escanifobéticos no estúdio, achas que eu sei?
- Rua! Rua! Tudo o que possuís numa caixa para o lado! Para o lado, para o lado!

Bem, pessoal, foi assim que me surgiu a música “Irreplaceable”. Que eu sei que os portugas são meio tóinos e portanto aqui vai a tradução integral e depois o link para o meu espectqacular video! Beijocas da Be!

Para o lado, para o lado!
Para o lado, para o lado!
Hummmm, para o lado, para o lado!
Tudo o que possuís, numa caixa para o lado!

No armário, estão as minhas cenas
E se as comprei, por favor não lhes toques!
E continua a falar por metáforas atabalhoadas
Consegues falar e desandar ao mesmo tempo?
É o meu nome que está nesse kispo,
Portanto despe-o já, deixa-me chamar-te um táxi!
Sentada no quintal, a ouvir-te dizer que
Eu sou muito parva e que nunca nunca vou
Encontrar um homem como tu!
Puseste-me aparvalhada!

Tu não deves saber acerca de mim!
Tu não deves saber acerca de mim!
Posso ter outro tu num minuto!
E de facto ele estará aqui, em um minuto, baybê!
Tu não deves saber acerca de mim,
Eu posso ter outro tu amanhã, por isso
Não penses que és...
Insusbstituível.

Vejam o video... :

http://www.youtube.com/watch?v=cievKjy_g7Q



The Sara Files

Pergunto-me quem cortou os cabelos que caíram da minha cabeça esta noite.
A tesoura que tenho nas mãos, foi-me aqui posta.

A minha mãe já me tinha avisado: “Os homens bonitos, mentem, os feios consentem”. Nunca tinha percebido isto até me deixar levar. E é o que acontece quando partilhamos a cama com um homem que nos aquece por tanto tempo que julgamos conseguir amá-lo, que julgamos conseguir ver. E quando este se vai embora de nós, conseguimos perceber que afinal ficámos sem perceber se realmente o que se passou, se passou de facto. Ficamos sem perceber se amámos de facto, se foi retribuído... Apetece-me utilizar a velha fraze chiché “Os homens são todos iguais”, mas debato-me com o espelho ao saber que não o são, ao saber que nós também não o somos. Porque páram então aviões por nós e quando partem, cortamos nós o cabelo por eles?

Encaremos o facto: somos difíceis de agarrar, e difíceis de largar. Os homens devíam conseguir ver as mulheres como as mulheres vêm os homens. Pelo menos a grande maioria. Quando o homem se entrega é para o momento, quando a mulher se entrega é para a vida. E a vida continua, o homem continua, e a mulher continua entregue, enquanto o homem se continua a entregar...

Os homens são o meio selvagem, onde as mulheres o podem ser de facto, e as mulheres o meio calmo onde o homem pode mostrar o lado mais sensível... O que acontece então quando uma mulher se envolve com outra, ou um homem se envolve com outro?

A resposta está em sermos o quanto razoáveis nos é possível ser.

Sara, 27 de Janeiro 2007.

(Hugo L. Ribeiro)


Diário da Be!!!

Di:)

Diário da Beyoncé!

Em Portugal

Dia....

Olha já me perdi, com tantos jet lags em cima, já nem sei para onde me virar. Olha hoje aconteceu-me a coisa mais estranha no aeroporto de Lisboa. Vinha eu muito bem disfarçada com um boné e uns óculos de sol, quando entrei na escada rolante e... de repente não estava a avançar. Os meus guarda-costas estavam lá em baixo a proteger-me dos paparazzis que fotografavam que nem abutres... Mas acenavam ao mesmo tempo. Quando dei por mim... Estava entalada na escada rolante. Se isto se admite! O meu rabo ficou tão apertado naquele espaço que até encravei as escadas... Não tenho a culpa, ora, Portugal é que é... Pequeno demais. É, é isso...



Depois fui descansar para o café do aeroporto quando fui abordada por um empregado lindissímo. Era alto e assim tipo... Daqueles. Mas assim que abriu a boca estragou tudo. Foi mais ou menos assim:

- Oulásss! – sorriu ele.

- Foda-se. – pensei eu.

Hotel. Bem... Hoje é o dia a seguir ao de ontem... Nem sei como é que aqui vim parar, mas decerto que foi uma coisa bestial. Ontem fui para... Como é que aquela merda se chama... Eram tantas ruas, tantos copos de Chardonay... Bairro qualquer-coisa... Ah! Vou telefonar a alguém da minha lista e contar o que aconteceu. Preciso de desabafar...

- Estou?! – disse eu.

- Alô, quiem está hablando?! – perguntou Shakira.

- Sha, sou eu a Be. – sorri eu.

- Be? Que Be? – disse Shakira.

- A Beyoncé... – disse eu, já levemente irritada.

- Beyoncé?! Quein es essa? – perguntou Shakira.

- Foda-se, é mesmo espanhola ou lá o que é... – pensei eu. – Destiny’s Child?

- Oh! Estou viendo... Como estás?! – perguntou Shakira.

- Quê?! Fala inglês merda! – disse eu irritada.

- Obrigada. – disse ela entusiasta. – Pela consideraçion.

- Quê? Não fiz nada... – disse eu coçando as longas estensões.

- É que... O meu inglês é mesmo uma mierda. – disse Shakira. – Que quieres?!

- Desabafar... Sabes ontem fui para um sítio qualquer... Já nem me lembro o nome daquilo vê lá tu... Mas tinha lá tanta gente, tive de mandar uns gritinhos para conseguir furar por entre a multidão. As pessoas perguntavam sempre se eu era a Beyoncé, e eu respondia que não... – disse eu.

- Entonces... Mas eres a Beyoncé ou no?! – exclamou Shakira com um ar aborrecido.

- Quê?! – disse eu.

- Que mierda de foda... Não és tu a Beyoncé? – perguntou Shakira.

- Sim, sou. Mas é claro que os meus fãs estavam loucos! Estavam por todo o lado, eram aos magotes... – disse eu.

- Onde quieres chegar?! – perguntou Shakira bocejando aborrecida.

- Queria chegar a um bar que estava lá... – disse eu.

- No, no no... Com la conversa. – disse Shakira.

- Ah, então. Já vais ver. Eu furei aquela merda toda e fui lá para um bar que ficava... ficava para lá. Fui ter com o meu amigo que me ajudou no aeroporto, sabes eu fiquei entalada nas escadas rolantes com as minhas ancas, foi um horror, Portugal é um país muito pequeno... – disse eu.

- Sabes como diz lo ditado... Hip’s don’t lie... (Ancas não mentem). – sorriu Shakira do outro lado.

- Bem o rapaz era um francês muito giro que estava a trabalhar lá e perguntou-me se eu não queria sair à noite. Eu olhei para ele e disse: Duh, claro que quero, quem é que não quer... – disse eu respirando fundo. – Depois ele olhou-me sem parar e eu já me estava a passar... Espera, isto rima, deixa-me apontar, pode ser que faça uma canção... Ele estava a referir-se ao facto de eu sair com ele. Fiquei um pouco pensativa, mas como ele era giro e tal, porque não olha! Então lá fomos nós... Foi uma noite agradável... Aquilo até rolou para o lado que não devia... Aconteceu o pior.

- No me digas que estás embaraçada... – disse Shakira.

- Embaraçada não, mas fiquei um pouco vermelha, é claro... – sorri eu.

- Que panasca de mierda... – disse Shakira.

- Desculpa, tens de falar em inglês senão não te entendo querida. – sorri eu.

- Ficaste grávida? – perguntou Shakira.

- Claro que... Sei lá! Só passou uma noite... olha que tens com cada uma... Bem o que interessa é que acordei com uma dor de cabeça e olhei para ele. Ele sorriu. – disse eu.

- E...? – continuou Shakira aborrecida.

- Ele voltou-se para mim e disse: Cuidado no caias da cama, porrque é pequena. Sabes, és muitso larrrga parra mim, ahm... oui. – disse eu.

- ... – disse Shakira.

- E eu fiquei com uma cara de cu... – disse eu.

- Pois, vindo de ti, já era de esperar. – disse Shakira.

- Que queres dizer com isso?! – disse eu baralhada.

- Nada, nada. Vá conta-me lá essa mierda. – disse Shakira.

- Eu disse: Mas tu és tão bonito e eu... Também. Ahm, e tu pronto, disseste que gostavas de mim... Sabes o que ele disse?! Ele disse: eu também gosto de mim! E em francês!

- Como percebieste lo francês? – perguntou Shakira.

- Não sejas tola! Uma mulher percebe sempre quando está a ser passada para trás, nem que seja em chinês! – disse eu. – É um mentiroso... Bonito, mas mentiroso.

- Beautiful Liar...

- Ele ainda correu atrás de mim com o roupão a gritar: Espera! Mas eu vim-me embora. Porque será que os homens fazem merda e depois nos dizem: ah espera aí, não vás embora assim... Filho da puta... – disse eu irritada.

- Homens... Olha! Podíamos fazer uma canção. Tipo... Pronto acerca de um mentiroso bonito, já sei! Podíamos fazer um dueto, é! – disse Shakira desperta.

- Sha, mais um dueto? Tu fazes duetos com tudo o que mexe... Foda-se... – disse eu.

- És verdad... Podemos usar maquilhagem e tudo! – disse Shakira.

- Ah... Mas somos tão diferentes... Achas que ficamos bem? – perguntei eu preocupada.

- No preocupes... Usamos maquilhagem e penteados iguais, para dar um ar tipo... Pronto ele é um mentiroso bonito e trocou-nos... Então... pronto, para não haver invejas, somos parecidas... E quem perde é ele, que no tem personalidade suficiente para nos largar por uma gaja mais bonita... já me perdi... No interessa. Vamos?! – perguntou Shakira.

- Vamos onde?! – perguntei eu.

- Onde haveria de ser, fazer o dueto olha... – disse Shakira.

- Ah... Falaste tão depressa e numa espanholisse pegada, que nem percebi nada... – disse eu.

- Para quien se metió con um franciú que mal sabia falar, estás muito friesca... – disse Shakira.

- Ai... Bem, nem me lembres. Filho da puta. Olha vamos então compôr uma música e mandar aquela comedora de homens fora dos tops de uma vez! – disse eu.

- Quien?

- A Nelly Furtado... ou não me digas que também queres fazer um dueto com ela... – disse eu.

- No lo sei... – sorriu Shakira.

- És mesmo... espanhola ou lá o que é.

- Soy Columbiana! – disse Shakira irritada.

- Ah, o meu pai também, tem bué de pombos. Uma nojice. – disse eu.

- Ai... ai... oh Beyoncé... Beyoncé...

- Oh, Shakira... Shakira... Hei!

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Ver o resultado aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=ZN6Zqr_smiI

ou aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=Krhl2o_uwdc

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Não percam a segunda parte do diário... eh eh

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