
Sexo e a Vivacidade
Há pessoas que não gostam muito da ideia de partilha de si próprias sem que haja alguma coisa mais que sexual entre essa pessoa e a outra. Por consequência não tem muitos relacionamentos e não se abre muito a estes. Mas quando se abre, deixa-se ir.
Relações começam e acabam mais depressa que a Sé de Braga, deixando para trás um piscina de dúvidas e questões, ‘e’ e ‘ses’; intermináveis lembranças e minutos largos a olhar para a caixa de cereais na prateleira de um supermercado porque nos lembra daquela certa manhã em que tudo parecia perfeito e na tarde do mesmo dia já nada batia certo.
O tempo passa e tudo cura. As pessoas avançam, decidem as decisões de esquecer o que não se quer esquecer porque daí algo se quer aprender... Aprendemos de facto então o que raio queremos e queremos uns dos outros? Ou teremos de ser os outros para percebermos então o que raio querem eles e assim sendo o que queremos nós deles?!
Complicações à parte, o mar acalma e o barco vai de novo à pesca. Quando pensamos que tudo vai passar e que a porta está fehcada, sentimos a corrente de ar.
E este fim de semana foi assim. Quando já tinha decidido que ia esquecer, recebo a visita do outro lado da ex-qualquer-coisa-seja-lá-o-que-tenha-sido. As conversas são sempre cordiais de assuntos triviais e a pergunta mais que fudida ensombra a cabeça de ambos enquanto nenhum de nós quer realmente saber.
- Então e tens estado com alguém?! Conheceste alguém de pois de...
Por vezes basta uma mentirazinha para esmifrar o outro até reduzi-lo à pequenez da sua insignificância. Mas a honestidade de uma pessoa séria é sempre melhor para a conseciência de quem quer realmente esquecer o assunto.
- Não?! Mas devias. És jovem e giro, o mundo é grande. Tens de viver! Tens de conhecer pessoas... Tens de sair com elas, e (...) . Aproveita a vida que só somos jovens uma vez. Acho que devias ser mais....bla bla bla....
Porque raio é que há pessoas que acham que temos de vivenciar o mesmo que elas?! Desde quando é que promiscuidade é sinónimo de viver a nossa tão preciosa jovialidade e aproveitá-la?! Desde quando a vida é um conjunto de experiências de ver lugares e foder pessoas?
Compreendo e depreendo o facto de uma relação ser o ponto mais importante na vida de muitas pessoas, ou da ausência desta não ser de facto uma coisa tão importante assim. Mas tornar-me um prostituto sentimental?
De facto a vida é um conjunto de lições e experiências.
Mas não é um conjunto de experiências e as sua lições.
Hugo Ribeiro